A voz compungida

Hoje não há lugar para histórias simplesmente tristes. Têm de ser trágicas, torrenciais de agonia. A banalização dos sentimentos exige mais. A violência já não prende o leitor que seja tele-espectador. Nem a comoção.
Por isso um livro como Começa uma Vida tem destino condenado na voragem comercial das sensações. 
Mesmo o facto de ter sido escrito com nome de homem - João Falco - a mascarar ser o autor uma mulher deixou de ter importância. Talvez como sinal dos tempos se lhe dedique algures um apontamento porque foi impresso em 1940 para a Seara Nova. Quem ler não reparará certamente que a narrativa surge no feminino em contraste com o sexo do suposto autor..
Poder-se-à dizer que não há uma condição feminina, abstracta, geral, ditada só pela anatomia ou explicada pela sociologia. Há as circunstâncias concretas em que se é mulher. Eis o resumo de uma vida. 
Mas houve algo que me fez ir ao encontro do livro e voltar a este lugar: «o amor das realidades simples domina-me, subjuga-me e talvez me enfraqueça», escreveu quase a findar.
Eis a densidade da sua verdade. Num mundo vocal, de feminilidades assertivas, Irene Lisboa corre o risco de ter sido a voz compungida. Activa, porém, militante, arriscando e pagando o duro preço pela intervenção na vida cívica. Não foi, porém, arauto de si. 
Tinha o brio de não ser vaidosa. Era-se educado para se ser assim.
Há um grupo de amigos da Tapada das Necessidades, esse lugar folhoso, recolhido, quase ignorado pela Lisboa contemporânea, a que se aborrece pelos centros comerciais, a que se deprime numa interminável sonolência. Foi ali que encontrei a fotografia, de Irene Lisboa [a terceira a contar da esquerda] e a dúvida quanto a saber se não teria sido tirada precisamente naquele local.

O elevador do Lavra

«Fazia sol e havia tranquilidade». E Irene Lisboa escrevia sobre o elevador do Lavra e suas gentes, gente vinda do mais recôndito como as Furnas do Monsanto, gente como a Nina, cujos requebros são convites e o Doutor Freitas, mais o guarda-freio e a varina e o ardina. E um gato «o diabo de um gato» logo «se havia de meter debaixo do enorme elevador». 
E assim começa uma história desta cidade, naquele elevador, onde «subir e descer neste veículo em cada dia do ano é cumprir uma pequena e ordinária rota, a pino, que sem exagero se pode considerar tão edificante como dar largas voltas pelo mundo». 
E são historias e histórias porque «os bairros felizmente têm um carácter mais humano que arquitectónico». 
E mora agora ali o meu Hugo e sabe e sente e pinta com tudo isso nos olhos, tal como ela os retratou em Literatura e corria o tempo da guerra, mais as árvores que se vêem ao longe, em São Pedro de Alcântara e o Torel e mais adiante a Morgue mais o Doutor Sousa Martins e a imensa capoeira à solta que dá vida ao jardim e o Instituto Alemão onde o meu Afonso, às sextas, martela declinações de uma língua que é uma forma de ter encontrado a matemática nas palavras.
Irene Lisboa escreveu isto tudo como "João Falco". Porque na altura bicho mulher não vingava nas letras.

Outono havias de vir

Dediquei-lhe este blog e depois fui esquecendo que existia. Comprei, um a um, todos os seus livros. Tenho um deles aqui comigo, "Outono Havias de Vir", assinado ainda com nome masculino, o de João Falco, editado pela Seara Nova, impresso em dois de Maio de 1937. Ofereceu-o em 1946 a Manuel Guimarães. Deve ter terminado tudo em alfarrabista. Excepto as primeiras folhas está por abrir. Ao carinho de ter sido oferecido não correspondeu a amabilidade sequer de ter sido lido. Sucede amiúde assim, o desconsolo do gesto mesmo oferecido.

A aldeia desterrada

Foi como se soubesse que estava ali e dirigiu-se-me esta tarde a mão para a estante onde estão os livros do Vergílio Ferreira e no primeiro volume do Espaço do Invisível, obra de ensaios, onde vem o texto polémico que escreveu para apresentar o Rumor Branco do Almeida Faria, ei-lo o «em memória de Irene Lisboa». Como se um acaso fosse determinação dos meus passos.
E li-o num instante, porque é breve, como se assim com ela me tivesse também encontrado numa aldeia na serra e no quarto andar na Rua de São Bernardo e notado o «seu porte, que tanto me impressionou, essa dignidade exterior, essa harmonia de ser, essa quase aparência de altivez que é apenas o respeito ou o orgulho de nós próprios e que traduzimos ainda pela palavra "nobreza"».
Humilde e sério - e nele mesmo a arrogância foi sempre uma forma de se inferiorizar, oferecendo-se à voragem dos impantes - o autor do Nítido Nulo surpreendeu nela «a sua comunhão com os interesses do povo, bem mais quente comunhão, bem mais fecunda, do que a minha, tão pobre e tão fiscalizada pelo que eu desejava "fidelidade" a uma ideologia», ela escritora de uma cidade mas em que «a Lisboa que habita os seus livros é a que relembra a aldeia, é uma aldeia desterrada, a que preserva o eco do que é belo na verdade primitiva».
Li para relembrar que, contra os preconceitos classistas de tantos literatos «toda a vida de gente simples não pode ser simplista» e para aprender que «uma mão cheia de nada só o é de coisa nenhuma quando o nada está em nós...».

O Baile

Amiga, a T deu-me o livro. Tinha acabado de o encontrar num alfarrabista à Feira da Ladra. «Olha, tem aqui um conto da tua apaixonada». Queria dizer daquela por quem me apaixonei. Chamava-se O Baile. «Horizontais era o nome que ele dava às mulheres da sua roda, bonitas mas tontinhas». Ele, o Souza, da repartição onde trabalhava Olinda. Irene Lisboa escreveu. É a história de um devaneio num baile em que ninguém dançou, enlevo de vulgaridade e de monotonia numa vida dactilografada
Organizado por Diaulas Riedel para a Cultrix brasileira em 1958 chama-se «Maravilhas do Conto Feminino»

João Falco



Será a caligrafia de Irene Lisboa, a mesma que usava pseudónimos masculinos para fazer triunfar a sua escrita feminina num mundo em que só os homens pareciam triunfar. No caso assina João Falco. Encontrei-o aqui.

Contarelos



A capa é inocente. «Irene escreveu e Ilda ilustrou», «para a gente nova», acrescenta a folha de guarda. O texto é seu, as ilustrações da sua colega e amiga, professora também, Ilda Moreira. Sabe-se mais sobre ela enquanto artista, aqui, porque há pessoas dedicadas e generosas.
Permito-me citar: «Entre os livros com ilustrações suas contam-se: - 13 Contarelos, escrito por Irene Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1926. - Vida escolar de Crianças de Cinco Anos e Meio a Sete, (na Revista Escolar) Abril de 1926. - Modernas tendências da educação, escrito por Irene Lisboa, Edições Cosmos, 1942. - A Vidinha da Lita, escrito por Irene Lisboa, 1ª ed. Coimbra: Atlântida, 1971. - Lisboa [ Visual gráfico : [vista da rua de São Bernardo, ca 1942], Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 1993. - Ilustração para uma versão não publicada do conto O entrudo de Carnaval, escrito por Irene Lisboa, Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 1993».
O livro é de um formato amigável, em oitavo, papel muito pobre que hoje mal resiste ao tempo. Impresso na tipografia da Escola Normal Primária, edição das autoras, distribuído pela Livraria Sá da Costa, a mesma que hoje vende, com a tristeza do que está moribundo, os restos que ainda sobram.

A minha Adelina

Há quem critique a escrita de Irene Lisboa pela sua domesticidade, a conversa sobre a mulher da fruta na esquina na Rua de São Bernardo, o senhor Manuel que «secou, que é pior que envelhecer», a «rapariga marreca mas engraçada», e tantos outros do elevador do Lavra, o Parreira, que é «dos que escorregaram para a mó debaixo», a Nina, sabedora de homens «a fingir-se de pudibunda e de devassa, a dar só a perninha como ela dizia, trazia-os todos à trela» e sempre presente a sua Adelina, que substituira a outra «que me não sabia fazer nada, nem lavar azulejos de cozinha e me dava caldo verde deslavado a todas as refeições».
Lembrei-me disso este fim de tarde tarde, desses críticos enfastiados, ausentes dos lugares «onde a vida varie», fruto da clausura insolente e da alienação noctívaga. Talvez por ter almoçado sardinhas no senhor Manuel e porque comecei faz pouco o meu jantar a comer rodelas de ananás que a minha Adelina, que se chama outro nome vindo dos tempos medievais, me deixou ficar, dizendo com aquele modo bonito de dizer: «sabe o senhor José António que comer ananás faz as pessoas felizes? Tem um produto que eu não lembro o nome». «Não faz mal», respondi eu então, enquanto revia provas de um livro, «desde que me faça feliz».

O burro velho

O comboio partia às 11:47 de Campanhã e eu ainda tinha de apanhar a ligação em São Bento. Vinha do Tribunal, de um julgamento que não houve, ofegante a subir a calçada.
Senti-a, por ali, tentadora, e ei-la de súbito: a livraria das livrarias, a Chaminé da Mota.
Contava os minutos, arriscava perder o comboio, mas o desejo era mais forte.
O que queria? Nem sabia. Tinha querido entrar e estava ali. «Procura algo?», perguntou-me, amável, o dono. Nem sei como surgiu, mas ripostei: «Irene Lisboa!».
Estavam lá em baixo, as mulheres escritoras, todas juntas, em gineceu literário.
Enervado com a pressa, tartamudeando o «já tenho quase tudo dela», acrescentei, sem ser necessário um «deram-me agora mais uns quantos», e com o empregado em expectativa, deitei a mão a um «Queres Ouvir? Eu Conto», editado pela Portugália do Agostinho Fernandes.
Tenho-o agora aqui comigo, impossível lê-lo esta noite, porque vai ser mais uma madrugada de trabalho obrigatório.
«Tinham deitado um burro à margem, um burro velho. Que carga de ossos tão triste». Começa assim o primeiro conto. Sou eu!

Dias que se uniformizam


A expensas suas, em 1943, Irene Lisboa editou um livro a que chamou «Apontamentos». Consegui encontrar num alfarrabista ainda um exemplar, a capa em papel alaranjado, muito fininho para sair mais barato. Para tentar que a sua obra tivesse divulgação, esforço inglório aliás, a autora editava uns folhetos acompanhados de um cartão. «Apontamentos (...) são romance concentrados», dizia, explicando que «o seu preço são 15$00, incluindo embalagem, porte e cobrança (O mínimo que o actual custo de papel e mão-de-obra permitem».
O exemplar que agora leio, deste livro que começa «eu tenho uma mentalidade ingénua! Estou sempre disposta a ver as coisas sentimentalmente», esse exemplar dizia, para poupar o outro à usura das minhas mãos, é um dos que a Editorial Presença publicou em 1998, há vinte anos. «Um escritor não pode viver, publicar, subsistir sem a atenção e a simpatia dos seus leitores. A expansão da sua obra depende do interesse que lhe dispensa quem a lê. Querendo V. Ex.ª ter a bondade de espalhar as poucas circulares que aqui junto, contribuirá gentilmente para a difusão de "Apontamentos"», escrevia ela, a, como se doridamenete a oferecer-se para que a quisessem. Eis o que faço neste blog, por amor a esta mulher. Queiram ter pois, meus leitores, a gentileza de espalhar.
Encerrado que estou há uma semana, tal como ela «ando com o cansaço de ontem e de anteontem, de uma série de dias que se uniformizam».

Outono havias de vir

Fui a Arruda dos Vinhos assistir a uma comovida homenagem a Irene Lisboa: Paula Morão que se doutorou sobre a autora de «Voltar atrás para quê?» e Violante Magalhães, que tem estudado a sua obra pedagógica, um documentário da RTP com Vergílio Ferreira, Alexandre O'Neill, tantos outros, amigos, fiéis, remanescentes. Cheguei a casa com a ânsia de ler o opúsculo que a edilidade a propósito editou. Li-o, num ápice, tal como escutara, uma a uma todas as palavras, esta tarde.
Citando a professora Paula Morão, eis-me como se ante o «discorrer irregular e líquidode um pensar, que se organiza, como é típico da poesia, pelo ritmo ondeante da composição«.

Belas palavras estas, escritas para recordar os belos sentimentos vividos, num bom dia de domingo.

Comemorações da Biblioteca Irene Lisboa

A Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos leva a cabo, já amanhã, domingo, as Comemorações do XVIII Aniversário da Biblioteca Municipal Irene Lisboa, Auditório Municipal - Centro Cultural do Morgado.
Eis o programa:

15.00h - Leitura de textos de Irene Lisboa, pela cantora lírica Ana Ester Neves,
acompanhados à flauta por Vasco Gouveia
16.00h - Coffe Break
16.30h - Colóquio sobre Irene Lisboa com a Professora Doutora Paula Morão e
a Dra. Violante Magalhães
17.30h - Entrega dos prémios dos X Jogos Florais Irene Lisboa
18.00h - Visita à exposição sobre Irene Lisboa

Museu Irene Lisboa: um colóquio em 23 de Setembro

Há em Arruda dos Vinhos um museu dedicado a Irene Lisboa. No dia 23 de Setembro leva a cabo um colóquio e exposição sobre literatura de Irene Lisboa com a presença de: Dr.ª Violante F. Magalhães, e Professora Doutora Paula Mourão.

Uma casa ao abandono


Vejo na imprensa que a casa onde nasceu Irene Lisboa está ao abandono:

«Mais de 100 anos depois de Irene Lisboa ter nascido na Quinta da Murzinheira, no concelho de Arruda dos Vinhos, o espaço, propriedade dos descendentes dos irmãos da poetisa, está agora em total abandono. Pertencendo há 100 anos à família Vieira Lisboa, a casa onde a escritora nasceu na Quinta da Murzinheira «está em ruínas desde há sete anos quando se tentou comprar», relatou, à Agência Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Arranhó, Joaquim Luís, referindo que o imóvel permanece «sem portas e janelas» e com as «telhas a cair».
Localizada em A-dos-Arcos, freguesia de Arranhó, a quinta, com uma extensão de 36 hectares, estende-se por terrenos agrícolas onde continua a predominar a vinha, e mantém ainda uma adega «completamente degradada», que noutros tempos era usada como apoio aos trabalhos do campo, também retratados por Lisboa nas suas obras.
Rodeada de pinheiros e eucaliptos, a casa possui um pátio onde cresce «muita vegetação selvagem», em consequência do estado de abandono a que a casa está votada.
Museu na antiga junta de freguesia
Desde há vários anos que a Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos tem vindo a estabelecer contactos com a família paterna de Irene Lisboa para comprar o espaço e «fazer ali inicialmente a casa-museu Irene Lisboa», mas «a família nunca se mostrou muito receptiva», revelou a vereadora da cultura, Gertrudes Cunha.
Todas as tentativas foram goradas e a autarquia inaugurou, no final de Junho, o Museu Irene Lisboa, em instalações antigas da Junta de Freguesia de Arranhó, reunindo pela primeira vez todo o acervo documental da vida e obra da poetisa. Mas continua a ser «um objectivo adquirir a quinta».
«O irmão de Irene Lisboa morreu há dois anos e estamos a negociar com os vários herdeiros», adiantou a autarca, explicando que a quinta está a ser alvo de partilha entre os descendentes, o que torna difícil a venda do imóvel.
O moroso processo de divisão dos bens foi confirmada por familiares da escritora, que se recusaram, no entanto, a prestar declarações.
A Quinta da Murzinheira confina com a Quinta do Monfalim, já no concelho de Sobral de Monte Agraço, também propriedade da família e cujo estado de degradação é igualmente visível.

Arrebatamentos


«No convento onde fui internada aos seis anos, as coisas passavam-se de um outro modo. Lá não havia passeios nem liberdades, tudo era triste. Tanto assim que as férias me davam arrebatamentos. Foi para entrar no convento que me baptizaram. Sem filiação e com o sobrenome de ... Céu. Porque fui eu do Céu? Nunca o soube». Eis, contada no livro «Começa uma vida» a infância de Irene do Céu Vieira Lisboa. A obra é ilustrada com desenhos de Maria Keil do Amaral. Fui encontrar este, uma menina pela mão de seu pai. Ser órfão é muitas vezes ser-se feliz.

A Rua de São Bernardo

Subi a rua a pé olhando, o coração apertado, prédio a prédio, contando os números de porta. No 102 tinha morado, num quarto andar, Irene Lisboa. Temi que o prédio tivesse sido devorado pelo tempo, expulso por um daqueles favos a que hoje se chamam casas de habitação.
Esperava-me o pior. O edifício estava lá e ostensiva via-se na parede frontal uma placa assinalando ali a presença passada de alguém. Aproximei-me para ver que era, enfim, a homenagem dos moradores, carinhosos, à lembrança amiga de ali ter morado...o ministro Baltazar Rebelo de Sousa.
Quanto a ter ali habitado a autora de «Solidão», nem uma palavra de memória.
Lembrei-me, ao regressar a casa, neste domingo em que um vento cruel resolveu tresmalhar a cidade de tristeza angustiosa, das palavras com que ela abre o seu livro «Começa uma vida», que assinou como João Falco e que é, afinal, o relato dos primórdios da sua existência: «Vá-se embora daqui, esta casa não é sua!».
De facto não era, nem a casa nem a vida que assim a tratou.

Mulheres escritoras

Sobre Irene Lisboa escreveu Maria Ondina Braga, outra mulher escritora a quem dedico um blog, esta frase triste: «Há menos de duas décadas, todavia, esta cidade que ela tanto celebrou, este povo de quem foi um dos mais finos e fiéis cronistas, viram-na morrer com a mesma indiferença com que a tinham visto viver». A autora de «Angústia em Pequim» sabia o que era o amargo da solidão, a ânsia de ser-se amado.

O livro chama-se «Mulheres Escritoras», foi editado em 1980. O meu exemplar, comprado numa modesta livraria de obras em segunda mão, foi oferecido no Natal de 1981 pela tia Maria Antonieta à Guida «com um abraço apertado». Dói que tudo termine assim, entre o adelo e o esquecimento.

O comum existir

A cada uma das paixões um blog, onde escrevo o que bem poderiam ser cartas de amor. Amor literário, mas amor em qualquer caso, aquela devoção de leitor apaixonado.
De há muito que fui reunindo, um a um, os livros da Irene Lisboa. Alguns já em alfarrabista, em mau estado, daqueles que se não encontram.
Hoje, ao ler «Esta Cidade», um livro que ela escreveu em 1942, decidi-me a reservar-lhe este espaço.
Irene do Céu Vieira Lisboa nasceu em 1892, faleceu em 1958. Usou o tempo de vida, a trabalhar como professora e a escrever sob o seu nome, como Manuel Soares, João Falco e Maria Moira uma obra hoje quase esquecida.

A sua obra essencial é esta:

* Treze contarelos (publicada em 1926).

* Um Dia e Outro Dia... _ Diário de Uma Mulher (poesia) (sob pseudónimo João Falco) (publicada em 1936).

* Outono Havia de Vir (poesia) (sob pseudónimo João Falco) (publicada em 1937).

* Solidão: Notas do Punho de Uma Mulher (poesia) (sob pseudónimo João Falco) (publicada em 1939).

* Fôlhas Volantes (poesia) (sob pseudónimo João Falco) (publicada em 1940)

* Esta Cidade! (contos, Irene Lisboa [João Falco], (publicada em 1942).

* Apontamentos (publicada em 1943).

* Uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma (contos) (publicada em 1955).

* Voltar Atrás para Quê? (novela) (publicada em 1956).

*O Pouco e o Muito. (1956)

* Título Qualquer Serve (novela) (publicada em 1958).

* Queres ouvir? Eu Conto _ Histórias para Maiores e mais Pequeninos (publicada em 1958).

* Crónicas da Serra (publicada em 1958).

* Solidão II (prosa) (publicada em 1966).

* Versos Amargos (publicada em 1991).

É uma literatura do comum existir, uma escrita de uma extraordinária existência.